“Max era uma incógnita para mim. Às vezes, como naquele momento, me tocava sem que eu precisasse recorrer a subterfúgios. Em outras, dava mais trabalho que cabelo alisado com chapinha em dia de chuva.”
“Por um instante, vislumbrei Max na cama, o corpo nu forte e suado colado ao meu, os cabelos desgrenhados, a pela levemente corada pelo esforço físico, a mão grande brincando com meus cabelos, meu rosto, os lábios se abrindo num sorriso sensual antes de descer para cobrir minha boca mais uma vez...”
“Naquele instante, olhando para o rosto delicado de Mari, me arrependi de todos os pensamentos que tive a respeito de estar sozinha. Mari estava ali. Sempre esteve. Sempre estaria. Amigas ficam ao seu lado nos momentos bons, mas apenas as melhores seguram sua mão nos momentos ruins.”
“- Sabe Max, você e eu não somos tão diferentes. Você usa essa fachada fria para manter as pessoas distantes. Eu uso o sarcasmo para afastar as pessoas.”
“Ah, lei ladra, o poder da vida. Direitinho declaro o que, durando todo tempo, sempre mais, às vezes menos, comigo se passou. Aquela mandante amizade. Eu não pensava em adiação nenhuma, de pior propósito. Mas eu gostava de, dia mais dia, mais gostava. Diga o senhor: como um feitiço? Isso. Feito coisa-feita. Era ele estar perto de mim, e nada me faltava. Era ele fechar a cara e estar tristonho, e eu perdia meu sossego. Era ele estar por longe, e eu só nele pensava. E eu mesmo não entendia então o que aquilo era? Sei que sim. Mas não. E eu mesmo entender não queria. Acho que. Aquela meiguice, desigual que ele sabia esconder o mais de sempre. E em mim a vontade de chegar todo próximo, quase uma ânsia de sentir o cheiro do corpo dele, dos braços, que às vezes adivinhei insensatamente - tentação dessa eu espairecia, aí rijo comigo renegava. Muitos momentos. Conforme, por exemplo, quando eu me lembrava daquelas mãos, do jeito como se encostavam em meu rosto, quando ele cortou meu cabelo. Sempre.”
“Hitoshi:Não posso mais ficar aqui. A cada momento eu sigo em frente. É impossível deter o fluxo do tempo, não tenho escolha. Eu vou.Uma caravana pára e outra parte. Ainda há pessoas que tenho que conhecer, outras que jamais voltarei a encontrar. Pessoas que passam por mim sem que eu o perceba, pessoas com quem cruzo apenas. Mas á medida que as cumprimento, tenho a sensação de que ficam mais transparentes. Devo viver com os olhos voltados para a corrente do rio.Peço-lhe, do coração, que guarde para sempre junto de você a imagem da garota que eu fui.Obrigada por te-se despedido de mim acenando.Por ter-se despedido acenando muitas, muitas vezes.”
“Quantas vezes troquei de pele? Quantos exoesqueletos abandonei pelo caminho? Quantos clones siameses de mim em mim eu sacrifiquei em nome de minha sobrevivência?! Eu durmo com fantasmas e acordo com sombras, o que aconteceu volta em frases ou pesadelos.”