“Será que uma lágrima podia simbolizar a vida de um humano? De um ser? Nascer, percorrer o seu caminho, fazer as suas escolhas de vida, tomar desvios ou atalhos, para depois, chegar à ravina onde tudo acabava. Frágil ao ponto de qualquer coisa a puder impedir de continuar caminho, um obstáculo que põe fim a tudo. Seria assim a vida, tal como uma lágrima?”
“De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro.”
“Dar um passo pode ser fruto de uma decisão complexa. Há a possibilidade de seguir para a direita ou para a esquerda, posso continuar em frente ou voltar para trás, desfazer. Cada escolha lançará uma cadeia de resultados. Mal comparado, é como acordar na estação Sèvres-Lecourbe e não ter mapa do metro, nunca ter estado ali, não saber sequer onde se está, não saber sequer o que é o metro. Ter de aprender tudo. Ao fim de um tempo, com sorte, conversando com pedintes cegos, tocadores de concertina, talvez se consiga chegar à conclusão que se quer ir para a estação Ourcq, esse é o lugar onde se poderá ser feliz, mas como encontrar o caminho sem mapa, sem conhecer linhas e ligações? É possível arrastar a vida inteira no metro de Paris e nunca passar por Ourcq. É também possível passar por lá e não reconhecer que é ali que se quer sair.”
“Ainda lembrei de suas palavras amadurecendo uma esperança para mim quando eu de tudo descria:-Não vê os rios que nunca enchem o mar? A vida de cada um também é assim: está sempre toda por viver.”
“A forma não muda: havia um ser humano que nasceu, viveu e depois, de uma maneira ou de outra, morreu. Aí têm. Podem preencher-se os pormenores com a nossa própria experiência. Tão pouco original como qualquer outra história, tão única como qualquer outra vida. As vidas são flocos de neve, formam padrões que já vimos anteriormente, tão idênticas umas ás outras como ervilhas numa vagem (...), mas ainda assim únicas”
“Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito.”
“«Se desço ao meu coração, encontro cinzas e uma lareira extinta. O vulcão cumpriu seu incêndio e dele apenas restam o calor e a lava que se agitam à superfície, e, quando tudo se houver gelado e as coisas se houverem cumprido, nada mais restará - uma indefínivel lembrança como que de algo que pudesse ter sido e que não foi - a lembrança dos meios que deveriam ter sido empregues para a felicidade e que se deixaram perdidos na inércia dos desejõs titânicos escorraçados de dentro de nós, sem que tão-pouco tivessem podido chegar cá fora, que minaram a alma de esperanças, de ansiedades, de votos sem fruto... e depois nada», Mazzini era um desterrado, um desterrado da eternidade.”