“Pouco me importa. Pouco me importa o quê? Não sei: pouco me importa.”
“Que importa àquele que já nada importaQue o um perca e outro vença,Se a aurora raia sempre,Se cada ano com a primaveraAparecem as folhasE com o outono cessam?”
“Sei que não sou o único que não se importa nem um pouco se ilusões religiosas forem ridicularizadas, mas se fosse o único, ainda assim não daria a mínima.”
“Trago dentro do meu coração,Como num cofre que se não pode fechar de cheio,Todos os lugares onde estive,Todos os portos a que cheguei,Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,Ou de tombadilhos, sonhando,E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.”
“Nada fica de nada. Nada somos.Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamosDa irrespirável treva que nos peseDa húmida terra imposta,Cadáveres adiados que procriam.Leis feitas, 'státuas vistas, odes findas - Tudo tem cova sua. Se nós, carnesA que um íntimo sol dá sangue, temosPoente, porque não elas?Somos contos contando contos, nada.”
“Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar.”
“Pára, meu coração!Não penses! Deixa o pensar na cabeça!Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!Hoje já não faço anos.Duro.Somam-se-me dias.Serei velho quando o for.Mais nada.Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...”