“«Parece maricas» (...) «E era uma pena, porque estava de se barrar com manteiga e comer-se vivo»”
“Estava convencido de que uma mulher que se deita com um homem uma vez, continua a deitar-se com ele sempre que ele o quiser, sempre que a saiba enternecer.”
“Úrsula se perguntava se não era preferível se deitar logo de uma vez na sepultura e lhe jogarem a terra por cima, e perguntava a Deus, sem medo, se realmente acreditava que as pessoas eram feitas de ferro para suportar tantas penas e mortificações. E perguntando e perguntando ia atiçando sua própria perturbação e sentia desejos irreprimíveis de se soltar e não ter papas na língua como um forasteiro e de se permitir afinal um instante de rebeldia, o instante tantas vezes desejado e tantas vezes adiado, para cortar a resignação pela raiz e cagar de uma vez para tudo e tirar do coração os infinitos montes de palavrões que tivera que engolir durante um século inteiro de conformismo.– Porra! – gritou.Amaranta, que começava a colocar a roupa no baú, pensou que ela tinha sido picada por um escorpião.– Onde está? – perguntou alarmada.– O quê?– O animal! – esclareceu Amaranta.Úrsula pôs o dedo no coração.– Aqui – disse”
“e quando houve em cada prato uma dose igual de ministro da Defesa com recheio de pinhões e ervas aromáticas ele deu a ordem de começar, bom proveito, meus senhores.”
“O comandante olhou Fermina Darza e viu em suas pestanas os primeiros lampejos de um orvalho de inverno. Depois olhou Florentino Ariza, seu domínio invencível, e se assustou com a suspeita tardia de que é a vida, mais que a morte, a que não tem limites”
“Nada se parece tanto a una persona como la forma de su muerte.”
“Às vezes lhe doía ter deixado com a sua passagem aquele riacho de miséria e às vezes sentia tanta raiva que espetava os dedos nas agulhas,porém mais lhe doía e com mais raiva ficava e mais lhe amargava o fragrante e bichado goiabal de amor que ia arrastando até a morte.”