“Garin tinha sido um peão, um peão fraco e controlado. Era o rei Eduardo quem tinha sido o verdadeiro traidor, o lobo no aprisco, o causador de todas as suas desgraças. Ele tinha sido o seu guardião. Tinha-se tornado o seu inimigo”
“Mas ela sabia, lá no fundo ela sabia. Ela tinha sido um recipiente onde o rei tinha despejado a sua angústia e o seu desespero. Estando tão vazia, ela deixara-se encher pelo negrume dele. Para ele, a criança que dava pontapés e que sonhava dentro dela não era mais do que uma semente que ele tinha plantado por engano, uma erva daninha que tinha de ser arrancada”
“Dera-se então toda a um cão, o «Bilro»; uma criada despedida deu-lhe por vingança rolha cozida; o «Bilro» rebentou, e tinha-o agora empalhado na sala de jantar.”
“Tinha andado a manter um silêncio amuado para com ele, esperando avidamente que me perguntasse que bicho me tinha mordido. O problema era que ele não o fazia. Haverá alguma coisa mais provocadora do que esperar que alguém comece uma discussão?”
“Odonato já não tinha força para desenhar nos lábios um gesto mínimo de espanto ou o que fosse um vulgar sorriso, a temperatura chegava-lhe à alma, os olhos ardiam por dentrochorar afinal não tinha que ver com lágrimas, antes era o metamorfosear de movimentos internos, a alma tinha paredes - texturas porosas que vozes e memórias podiam alterar”
“Will combatia impiedosamente, metodicamente, golpeando os homens à volta dele com o único objectivo de os derrubar antes que eles o matassem. Eles já não eram homens. Na sua visão, eles eram alvos que tinham de ser destruídos. O instinto tinha dominado o intelecto e o remorso tinha-se desvanecido por necessidade. Agora, ele era uma máquina alimentada por uma necessidade de sobreviver, pelo medo e pela adrenalina. Rugia enquanto os golpeava com a espada, o gume da lâmina a atravessar qualquer área de carne exposta que atingia”