“Os amigos do passado não serão mais que ténues recordações que não deixará interferir na sua ascensão. Ele já é meu.”
“Os reflexos do céu na terra são ilimitados e imperfeitos como as incompletas existências que a habitam.”
“As águas barrentas da Caldeira Velha. Os corpos que se namoram, alagados naquela sopa terapêutica, assistem a um espectáculo de ceifar a respiração, como se um pedaço do inferno tivesse sido plantado no céu!”
“As lágrimas que não saem depositam-se no coração, com o passar do tempo vão formando uma crosta e paralizam-no, como o calcário se encrosta e paraliza as engrenagens da máquina de lavar.”
“Segundo ele, o coração do homem era como a terra, metade iluminado pelo sol e metade pela sombra. (...) «Uma parte de nós vive cá em baixo e outra tende para as alturas. Viver é apenas ter consciência disso, sabê-lo, lutar para que a luz não desapareça, vencida pela sombra. Desconfie de quem é perfeito», dizia-me, «de quem tem as soluções já prontas no bolso, desconfie de tudo excepto daquilo que o coração lhe disser.»”
“Ser ilhéu era isso mesmo: poder voar sem ter asas, só por vislumbrar o oceano; poder respirar fundo sem esforço, só por sentir o cheiro das criptomérias por perto. Mas ser ilhéu naquelas ínsulas dos Açores era bem mais que isso. Era também poder pisar a areia fina e cinzenta das praias e abrir os braços para as montanhas que a cuspiram, virar-lhes as costas e agora abraçar o mar imenso, bom e mau, calmo e tempestuoso, límpido e espumoso, dependendo da sua fúria ou da sua serenidade, dependendo do que a Mãe – aquela Natureza – lhe fazia sentir, tal qual um ser vivo, com o mesmo sentir de um animal. Tudo é vivo, tudo respira!”